HONORÁRIO NÃO É SALÁRIO: A IMPORTÂNCIA DE TRATAR A CORRETAGEM COMO NEGÓCIO
Você sabe quanto precisa vender para que sua corretagem seja, de fato, um negócio lucrativo?
A liberdade de horários, a possibilidade de ganhos proporcionais aos resultados e a autonomia profissional são alguns dos grandes atrativos da carreira de corretora de imóveis. Mas existe uma mudança de mentalidade fundamental para quem deseja construir uma carreira sustentável no mercado imobiliário:
Honorário não é salário. É faturamento.
E faturamento precisa ser administrado como negócio.
Muitas profissionais entram na corretagem pensando no valor que receberão quando uma venda for concluída. Porém, entre a captação do imóvel e o recebimento do honorário existe uma série de custos e investimentos: deslocamento, telefone, marketing imobiliário, anúncios, fotografia, ferramentas digitais, relacionamento, qualificação de leads, networking e, principalmente, tempo.
Por isso, olhar apenas para o valor da comissão pode criar uma falsa sensação de prosperidade.
Um honorário de R$ 20 mil, por exemplo, não significa necessariamente que a corretora “ganhou R$ 20 mil”. É preciso considerar despesas, impostos, investimentos e o período necessário para conquistar aquele resultado.
A pergunta deixa de ser:
“Quanto eu ganhei?”
E passa a ser:
“Quanto meu negócio gerou de resultado?”
Tratar a corretagem de imóveis como negócio significa assumir uma postura empreendedora.
Isso envolve estabelecer metas de faturamento, acompanhar indicadores, organizar o fluxo financeiro, criar uma reserva para períodos de menor volume de vendas e definir quanto será reinvestido na própria atividade.
Também significa compreender que nem todo mês terá o mesmo resultado.
No mercado imobiliário, existem ciclos. Há meses com várias negociações e outros em que o trabalho de prospecção, relacionamento e construção de oportunidades será maior do que o número de contratos fechados.
É justamente por isso que planejamento financeiro para corretoras de imóveis não é luxo. É estratégia.
O dinheiro do honorário precisa ter destino
Uma prática importante é não tratar todo honorário recebido como dinheiro disponível para consumo.
A profissional pode estabelecer categorias para cada recebimento:
- custos e impostos;
- despesas pessoais;
- reserva financeira;
- investimento em marketing e tecnologia;
- capacitação profissional;
- reinvestimento no negócio.
Essa organização ajuda a transformar uma atividade baseada em vendas pontuais em uma carreira imobiliária sustentável.
Existe ainda uma diferença importante entre trabalhar para fechar a próxima venda e construir uma marca pessoal no mercado imobiliário.
Uma corretora que investe em posicionamento, relacionamento com clientes, presença digital, produção de conteúdo, networking e pós-venda está construindo ativos que podem gerar oportunidades futuras.
Cada atendimento pode gerar uma indicação.
Cada relacionamento pode gerar uma nova oportunidade.
Cada imóvel bem trabalhado pode fortalecer sua reputação.
Por isso, o verdadeiro patrimônio de uma corretora não está apenas nos honorarios recebidos, mas também na carteira de clientes, na reputação, no conhecimento e na autoridade que ela constrói ao longo do tempo.
Ser corretora de imóveis é exercer uma profissão. Mas construir uma carreira de sucesso exige pensar como empresária.
Talvez seja hora de substituir:
“Preciso vender um imóvel.”
por:
“Preciso construir um negócio imobiliário que venda de forma consistente.”
Essa mudança parece pequena, mas transforma decisões, prioridades e resultados.
Porque quando a corretagem passa a ser tratada como negócio, o honorário deixa de ser apenas uma recompensa pela venda.
Ela passa a ser combustível para o crescimento da própria carreira.
Para refletir
Se você somasse todas os seus honorários dos últimos 12 meses,descontado seus custos profissionais, impostos e investimentos, saberia dizer quanto realmente lucrou?
Se a resposta for “não”, talvez este seja o momento de começar.
Corretora profissional também administra o próprio negócio.
Tatiane Sakumoto
Diretora de Comunicação e Marketing Confraria Mulheres Corretoras de São Paulo