MULHERES NA POLITICA: PRESENÇA QUE CRESCE, PODER QUE AINDA PRECISA SER CONQUISTADO
As eleições de 2026 mostram um avanço na participação feminina nas candidaturas, mas os números revelam que ocupar espaços de decisão continua sendo um grande desafio para as mulheres brasileiras.
A presença feminina na política brasileira vem crescendo, mas ainda caminha a passos lentos. Nas Eleições Gerais de 2026, as mulheres representam 34,85% das candidaturas registradas para fins de distribuição dos recursos públicos de campanha, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
São 7.165 candidatas entre 20.560 candidaturas consideradas pelo TSE. Os homens representam 65,15% desse universo. (Justiça Eleitoral)
O número chama atenção porque as mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros. Em 2026, elas representam 52,84% do eleitorado nacional, com mais de 83,8 milhões de eleitoras aptas a votar. (Justiça Eleitoral)
A pergunta, portanto, é inevitável:
Se as mulheres são maioria entre quem escolhe os representantes, por que ainda são minoria entre quem ocupa os espaços de decisão?
2026: mais participação, mas o avanço precisa ser analisado com cuidado
À primeira vista, os quase 35% de candidaturas femininas podem parecer um grande avanço. E são, de fato, resultado de décadas de conquistas e de mudanças na legislação eleitoral.
Mas existe uma ressalva importante.
O número total de candidaturas em 2026 é menor do que em 2022. Por isso, o crescimento da participação feminina deve ser observado principalmente em termos proporcionais, e não como um aumento expressivo no número absoluto de mulheres candidatas.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, por exemplo, o número de candidaturas femininas caiu de 3.717 em 2022 para 2.820 em 2026, uma redução de 24%. Ao mesmo tempo, a participação proporcional das mulheres entre os candidatos ao cargo subiu de 35% para 36,7%. (Portal da Câmara dos Deputados)
Isso mostra que ainda existe uma distância significativa entre estar na disputa e efetivamente conquistar uma cadeira.
De eleitoras a líderes: uma história de conquistas
A participação política feminina no Brasil é uma conquista relativamente recente.
Em 1932, o Código Eleitoral passou a garantir às mulheres o direito de votar e de serem votadas em todo o território nacional. Foi um marco histórico para a democracia brasileira. (Justiça Eleitoral)
Antes disso, porém, o Rio Grande do Norte já havia permitido a participação eleitoral feminina. Em 1928, Alzira Soriano tornou-se a primeira mulher eleita prefeita no Brasil, em Lajes (RN). (Justiça Eleitoral)
Desde então, muitas outras mulheres abriram caminhos na política brasileira.
Mas o direito de participar não significou, automaticamente, igualdade na ocupação dos espaços de poder.
Décadas depois da conquista do voto, a desigualdade permanece evidente.
Mulheres ainda são minoria no Congresso
Atualmente, as mulheres ocupam 91 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, aproximadamente 18% da Casa. (Portal da Câmara dos Deputados)
É uma diferença expressiva quando lembramos que as mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro.
E essa diferença não aparece somente no Congresso.
Nas eleições municipais de 2024, 724 mulheres foram eleitas prefeitas, correspondendo a cerca de 13% das prefeituras. Para as câmaras municipais, foram eleitas 10.583 vereadoras, aproximadamente 18% das cadeiras.
Houve crescimento em relação a 2020: naquele ano, foram eleitas 663 prefeitas e 9.371 vereadoras. Ainda assim, a evolução permanece lenta diante da dimensão da participação feminina na sociedade. (Portal da Câmara dos Deputados)
Por que as mulheres estão chegando mais?
Não existe uma única explicação.
Uma combinação de fatores ajuda a entender esse movimento.
Mudanças na legislação
A legislação eleitoral passou a criar mecanismos para estimular a presença feminina.
A chamada cota de gênero estabelece percentual mínimo de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais. Ao longo dos anos, decisões da Justiça Eleitoral também ampliaram a proteção às candidaturas femininas, inclusive em relação ao financiamento das campanhas.
Em 2018, por exemplo, o TSE confirmou que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha deveriam ser destinados às candidaturas femininas, acompanhando o percentual mínimo de candidaturas. (Justiça Eleitoral)
Em 2026, as regras continuam garantindo percentuais mínimos de recursos públicos para as campanhas femininas. (Justiça Eleitoral)
Mais mulheres dispostas a ocupar espaços de liderança
Mas a legislação, sozinha, não explica tudo.
Existe também uma mudança cultural.
Cada vez mais mulheres entendem que participar de espaços de decisão significa influenciar políticas públicas, defender interesses da sociedade e construir soluções para problemas que afetam diretamente suas comunidades.
A mulher que empreende, lidera uma empresa, administra equipes, participa de entidades profissionais ou atua em organizações da sociedade civil também está construindo experiência de liderança.
E essa experiência pode, em diferentes momentos, abrir portas para outros espaços.
O verdadeiro desafio: transformar presença em poder
Talvez essa seja a principal reflexão que os números de 2026 nos deixam.
Não basta aumentar o número de mulheres candidatas. É preciso criar condições para que elas tenham chances reais de serem eleitas.
Financiamento, estrutura partidária, visibilidade, formação, comunicação, networking e apoio são fatores fundamentais.
E existe ainda uma barreira que não pode ser ignorada: a violência política de gênero.
O próprio TSE vem promovendo iniciativas de formação para mulheres que pretendem disputar eleições e tratando também da violência política de gênero, mostrando que a preparação e a segurança das candidatas fazem parte do debate sobre participação feminina. (Justiça Eleitoral)
Em 2026, a Câmara também debateu propostas para avançar da simples reserva de candidaturas para mecanismos que garantam maior presença efetiva das mulheres nos espaços de poder. (Portal da Câmara dos Deputados)
A força da rede feminina
Existe uma lição importante nessa discussão que ultrapassa a política.
Mulheres precisam de outras mulheres.
Precisam de referências, mentoras, parceiras, conexões e espaços onde possam compartilhar conhecimento, experiências e oportunidades.
É assim que uma mulher que já ocupou determinado espaço pode abrir caminho para outra.
É assim que conhecimento se transforma em confiança.
É assim que networking se transforma em oportunidade.
E é assim que presença se transforma em liderança.
Essa lógica também está presente no mercado imobiliário.
As mulheres já são protagonistas em diferentes áreas da corretagem, da gestão, das vendas, do empreendedorismo e do mercado de investimentos. Mas ocupar cada vez mais posições estratégicas exige capacitação, posicionamento, relacionamento e, principalmente, uma rede de apoio que incentive outras mulheres a crescer.
A história da participação feminina na política brasileira mostra que nenhuma conquista aconteceu de um dia para o outro.
Do direito ao voto, em 1932, até a presença de milhares de candidatas nas eleições atuais, foram décadas de transformação.
Os números de 2026 mostram avanço, mas também deixam um alerta:
ainda existe muito espaço para conquistar.
E essa conquista não precisa acontecer apenas na política.
Ela acontece quando uma mulher assume uma posição de liderança.
Quando empreende.
Quando se posiciona.
Quando compartilha conhecimento.
Quando abre uma porta para outra mulher.
Quando deixa de enxergar outra mulher como concorrente e passa a enxergá-la como parceira de crescimento.
Porque ocupar espaços é importante. E pensando nisso muitas mulheres corretoras se dedicam à abrir caminhos e deixar legados para nós mulheres, e foi assim que uma mulher corretora lutou para a implantação da Resolução COFECI nº 1.555/2025 onde corretoras que se tornam mães por nascimento ou adoção legal, podem ter no ano da adoção/nascimento a isenção da Anuidade do CRECI.
Mas abrir caminhos para que outras também possam ocupá-los é ainda mais poderoso.
E você, mulher corretora, qual espaço de liderança está pronta para ocupar?
Na Confraria Mulheres Corretoras de SP, acreditamos que conhecimento, conexão e colaboração são ferramentas para transformar carreiras e fortalecer a presença feminina no mercado imobiliário.
Se você acredita que juntas podemos ir mais longe, venha fazer parte dessa rede de mulheres que aprendem, compartilham, conectam e abrem caminhos.
Tatiane Sakumoto
Diretora de Comunicação e Marketing – Confraria Mulheres Corretoras de São Paulo